Startups de tecnologia têm até 25 de setembro para se inscrever no CALL4TECH, programa de inovação aberta lançado pela Insi Ventures, braço de investimento e aceleração corporativa do grupo Insi. A iniciativa seleciona empresas emergentes de base tecnológica com soluções validadas em inteligência artificial, automação e análise de dados e pode resultar em aportes individuais de até R$ 1,5 milhão.
As inscrições foram abertas em 17 de agosto e permanecem disponíveis até 25 de setembro de 2026, às 23h59. A etapa final do processo, conhecida como Pitch Day, está marcada para 19 de outubro e reunirá uma banca avaliadora com executivos e investidores do setor de tecnologia.
O anúncio se insere em um movimento que ganhou escala no país: a aproximação estruturada entre grandes corporações e empresas emergentes de tecnologia. Segundo a publicação World of Corporate Venturing 2026, mais de 3 mil corporações investiram em startups em 2025, participando de 5.221 rodadas de investimento — um retrato do tamanho que essa ponte passou a ocupar na estratégia das empresas.
O que é o CALL4TECH e quem pode participar
O CALL4TECH é uma chamada de inovação aberta: um convite formal para que empresas externas apresentem soluções para desafios de uma organização. No caso do grupo Insi, a busca se concentra em três frentes de atuação: desenvolvimento de software, automação de operações de terceirização de processos de negócio e inteligência de mercado.
O programa tem um objetivo declarado de conectar o ecossistema corporativo do grupo a empresas emergentes capazes de entregar tecnologia aplicada — não apenas conceitos, mas soluções que já passaram por validação inicial no mercado.
A lógica por trás desse tipo de chamada é simples. Empresas estabelecidas precisam acompanhar transformações tecnológicas que se movem mais rápido do que qualquer estrutura interna de pesquisa consegue absorver. As empresas emergentes, por sua vez, enfrentam o desafio oposto: têm a tecnologia, mas carecem do acesso a clientes de grande porte, que são justamente os mais difíceis de conquistar na venda entre empresas. A chamada de inovação aberta funciona como um canal formal que resolve os dois problemas ao mesmo tempo — e por isso se tornou uma das ferramentas mais usadas de conexão entre os dois mundos no Brasil.
Setores-alvo: IA, automação e análise de dados
A chamada delimita o escopo às três áreas prioritárias. Startups que atuam com inteligência artificial, automação de processos e análise de dados são o público central da seleção. Essas três frentes compartilham uma característica: transformam dados e processos em ganhos diretos de produtividade para as empresas clientes — exatamente o tipo de resultado que programas corporativos de inovação passaram a exigir.
A escolha das áreas não é casual. A inteligência artificial concentra hoje o maior volume de iniciativas corporativas de inovação no mundo, e a automação de processos é a aplicação com retorno mais rápido de medir: menos horas de trabalho manual, menos erro operacional, mais capacidade de atendimento sem contratação proporcional. A análise de dados, por sua vez, alimenta as outras duas — modelos de inteligência artificial e rotinas automatizadas dependem de dados organizados para funcionar. Uma empresa emergente que atue na interseção das três áreas entra na chamada com vantagem natural de enquadramento.
Quem se qualifica
Podem participar empresas nascentes de base tecnológica que apresentem soluções validadas para os setores-alvo da chamada. O processo de inscrição solicita, entre as informações da proposta, o envio de dados de faturamento da candidata — elemento que compõe a triagem inicial das candidaturas, segundo o anúncio do programa.
Como funciona o processo de seleção
O calendário do programa é curto e exige preparação antecipada das candidatas. As inscrições, abertas desde 17 de agosto, encerram-se em 25 de setembro às 23h59. Após a triagem das propostas, as startups finalistas são convocadas para a apresentação presencial.
Prazos: inscrições até 25 de setembro e Pitch Day em 19 de outubro
O Pitch Day, agendado para 19 de outubro de 2026, é a etapa em que os projetos são apresentados à banca avaliadora. A organização do programa prevê a seleção de 6 a 10 finalistas para essa fase, que reunirá executivos e investidores do setor de tecnologia. A apresentação presencial diante da banca é condição para disputar as oportunidades finais do programa.
O intervalo entre o fim das inscrições e o Pitch Day — cerca de três semanas — é o período em que as finalistas preparam a apresentação. É pouco tempo para quem parte do zero, e é exatamente por isso que a preparação deve começar antes da inscrição: material comercial atualizado, indicadores de resultado e um roteiro de demonstração da tecnologia em cenário próximo ao da operação real do grupo.
O que os finalistas disputam: contratos, provas de conceito e parcerias
As startups finalistas disputam três tipos de oportunidade: contratos comerciais com o ecossistema corporativo, provas de conceito (as chamadas PoCs, testes práticos que validam a tecnologia em ambiente real) e parcerias estratégicas. Além disso, as empresas selecionadas após avaliação e aprovação técnica poderão receber aportes financeiros individuais de até R$ 1,5 milhão.
Para uma empresa emergente, a combinação é relevante porque une dois recursos escassos no estágio inicial: receita potencial, por meio do contrato comercial, e validação de mercado, por meio da prova de conceito executada junto a uma corporação estabelecida.
A prova de conceito merece atenção especial das candidatas. Na prática, ela funciona como um contrato de experiência: a empresa cliente testa a tecnologia em um problema real, com escopo reduzido e prazo definido, antes de decidir pela adoção em escala. Para a fornecedora, um teste bem-sucedido costuma valer mais do que qualquer apresentação comercial — porque substitui a promessa por evidência. Para o programa, é o filtro que separa soluções que funcionam em apresentação das que funcionam em produção.

Quanto a Insi Ventures investe no ecossistema
Os números divulgados pelo grupo ajudam a dimensionar o programa. A Insi Ventures atua como braço de investimento e aceleração corporativa de um grupo com 35 anos de operação continuada e presença no Brasil, no Canadá e nos Estados Unidos.
Os números do grupo: 500 startups avaliadas e 30 contratos ativos
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Tempo de operação do grupo | 35 anos |
| Países de atuação | Brasil, Canadá e Estados Unidos |
| Startups avaliadas em edições anteriores | Mais de 500 |
| Contratos comerciais ativos com startups | Mais de 30 |
| Empresas no portfólio de investidas | 7 |
| Volume total investido no ecossistema | R$ 10 milhões |
| Aporte individual máximo do CALL4TECH | R$ 1,5 milhão |
O histórico de mais de 500 startups avaliadas e mais de 30 contratos comerciais ativos indica que o programa faz parte de uma operação contínua de conexão com o ecossistema — não de uma ação isolada de marketing.
Para quem se candidata, esses números funcionam como termômetro de seriedade. Programas corporativos variam bastante em maturidade: alguns existem para gerar conteúdo e visibilidade, outros mantêm um fluxo real de contratos com empresas externas. O volume de contratos ativos em relação às empresas avaliadas ao longo do tempo — cerca de 30 contratos para mais de 500 avaliadas — dá uma proporção aproximada da taxa de conversão histórica do grupo e ajuda a calibrar a expectativa de quem entra no processo.
Por que a inovação aberta cresce no Brasil
O movimento do grupo Insi ilustra uma transformação mais ampla na relação entre grandes empresas e startups no país. Segundo análise divulgada no anúncio do programa, os modelos de investimento corporativo e de inovação aberta atravessam um período de maturidade operacional, no qual passaram a priorizar resultados financeiros e ganhos diretos de produtividade.
Nesse contexto, grandes empresas buscam reduzir custos internos de pesquisa e desenvolvimento ao incorporar soluções externas desenvolvidas por empresas de tecnologia em crescimento. Os investimentos corporativos evoluíram, historicamente, de dinâmicas reputacionais para arranjos contratuais focados na validação comercial e no ganho de escala em ambientes de produção real.
Investimento corporativo em números
O tamanho do movimento aparece nos dados do setor. De acordo com a publicação World of Corporate Venturing 2026, mais de 3 mil corporações investiram em startups em 2025, participando de 5.221 rodadas de investimento. O dado foi destacado durante a 10ª edição do evento Corporate Venture in Brasil, realizado em São Paulo com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos.
A consolidação de hubs de inovação e de chamadas privadas como a do CALL4TECH reflete, ainda, a busca por eficiência frente a gargalos tradicionais do setor de tecnologia, como a escassez de profissionais sêniores de desenvolvimento e os altos custos de aquisição de clientes no mercado empresarial. A atuação internacional de grupos como o Insi, com operações na América do Norte, também funciona como vetor de exportação de tecnologias desenvolvidas no Brasil.
O que muda para quem vende tecnologia
O deslocamento é conceitual, mas tem efeito prático no dia a dia das empresas emergentes. Enquanto o investimento corporativo de perfil reputacional avaliava a empresa pela promessa, o modelo atual avalia pela entrega: faturamento, casos de uso comprovados e capacidade de operar em ambiente de produção. Na prática, isso significa que a preparação para uma chamada como a do CALL4TECH começa antes do formulário de inscrição — na organização de indicadores, casos de sucesso e evidências de que a solução suporta operação real.
Também muda o tipo de pergunta que a banca faz. Em vez de “o que a sua tecnologia faz”, a pergunta central passou a ser “o que a sua tecnologia já fez, para quem, e com qual resultado medido”. Candidatas que chegam com esse material pronto saem na frente — independentemente do tamanho da empresa.
Checklist para se candidatar antes do prazo
Para startups interessadas em disputar o programa, o caminho prático se resume a cinco passos:
- Confirmar o enquadramento: a solução precisa estar validada e atuar em inteligência artificial, automação ou análise de dados, aplicada aos setores-alvo da chamada.
- Preparar a documentação: a inscrição solicita dados de faturamento e informações detalhadas da proposta.
- Submeter dentro do prazo: as inscrições encerram-se em 25 de setembro de 2026, às 23h59.
- Planejar a apresentação: o Pitch Day de 19 de outubro é presencial e exige preparação para a banca avaliadora.
- Entender o que está em jogo: contrato comercial, prova de conceito, parcerias estratégicas e aporte de até R$ 1,5 milhão.
Vale lembrar que a inscrição é apenas a porta de entrada. O que decide o resultado é a apresentação da proposta em termos de negócio — problema resolvido, evidência de validação e potencial de aplicação na operação do grupo. Empresas que tratam a candidatura como uma venda consultiva, e não como um formulário, tendem a se destacar em qualquer processo seletivo desse tipo.
Programas como o CALL4TECH reforçam uma tendência consolidada: o investimento corporativo deixou de ser vitrine e passou a funcionar como canal de primeira venda para empresas emergentes de tecnologia. Para as startups que se enquadram nos critérios, o prazo de encerramento é o lembrete mais imediato — e o mais fácil de perder.
Fontes:
- Brasil Inovador — Insi Ventures lança programa de inovação aberta com investimento de até R$ 1,5 milhão para startups de tecnologia (09/09/2026): brasilinovador.com.br
- Brasil 61 — São Paulo reúne startups e investidores estrangeiros na 10ª edição do Corporate Venture in Brasil: brasil61.com