O empreendedorismo sênior entra, pela primeira vez, no radar da maior pesquisa sobre empreendedorismo do mundo. Nesta quarta-feira (16), o Sebrae realiza o seminário online Tendências do Empreendedorismo no Brasil, das 9h às 11h30, com transmissão gratuita, para divulgar dados inéditos da pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) sobre empreendedores com mais de 65 anos — um recorte que nunca havia sido medido pela pesquisa no Brasil.
O evento também vai aprofundar outro movimento que já aparece nos números: o uso crescente de tecnologias digitais — em especial a inteligência artificial — pelos pequenos negócios brasileiros. Segundo a própria pesquisa, 95% dos empreendedores iniciais e 97% dos estabelecidos já utilizam recursos digitais para vender produtos e serviços.
O que é a pesquisa GEM e por que ela importa

A Global Entrepreneurship Monitor é o levantamento mais abrangente sobre empreendedorismo do planeta, acompanhando dezenas de países e identificando os fatores que estimulam ou inibem a criação de novos negócios. No Brasil, a pesquisa é realizada desde 2000 e conta com o apoio do Sebrae desde 2001; desde o ciclo de 2022, é conduzida pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe), em colaboração com o Sebrae, conforme detalha o relatório GEM Brasil 2024.
Na edição de 2025, foram realizadas 2.350 entrevistas com pessoas adultas de 18 a 64 anos, cobrindo desde os empreendedores nascentes — que nos últimos 12 meses tomaram alguma atitude para abrir um negócio — até os estabelecidos, com mais de três anos e meio de atividade. A inclusão dos empreendedores acima de 65 anos, anunciada para o seminário desta semana, amplia esse recorte pela primeira vez e reconhece um fenômeno que os dados anteriores já deixavam entrever.
Empreender depois dos 60 já é tendência nos dados
Antes mesmo de a GEM medir o público 65+, as taxas por faixa de idade já apontavam para o amadurecimento do empreendedorismo brasileiro. Segundo o relatório GEM Brasil 2024, entre os empreendedores estabelecidos, as taxas mais altas estavam justamente nas faixas mais velhas: 17,9% entre os de 45 a 54 anos e 19,5% entre os de 55 a 64 anos. No conjunto da economia, a taxa de empreendedorismo inicial (TEA) subiu de 18,6% para 20,3% da população adulta entre 2023 e 2024, e o empreendedorismo total alcançou 26,3%.
Os números de rendimento reforçam a tese. Dados da PNAD Contínua do quarto trimestre de 2025, analisados pelo Sebrae, mostram que o rendimento médio habitual dos empreendedores seniores chegou a R$ 3.714 — acima da média geral de R$ 3.531 entre os donos de negócio, como registra a pesquisa Empreendedorismo Sênior do Sebrae. Em outras palavras: quem empreende depois dos 60 não está apenas ocupando o tempo — está gerando renda acima da média, apoiado em décadas de experiência, rede de contatos e capital acumulado.
É esse retrato que a nova edição da GEM passa a documentar oficialmente. A expectativa é que os dados inéditos divulgados no seminário ajudem a dimensionar o tamanho do chamado empreendedorismo prateado no país — e a orientar políticas públicas e oportunidades de mercado para esse público.
A inteligência artificial como ferramenta do dia a dia
O segundo eixo do seminário é a tecnologia. A adoção digital nas vendas já é quase unanimidade entre os pequenos negócios, e a inteligência artificial aparece como a nova camada dessa transformação: atendimento automatizado, criação de conteúdo, análise de dados e gestão financeira são as aplicações mais comuns, como documenta o próprio Sebrae em matérias recentes.
Para o empreendedor sênior, a IA tem um papel específico: reduz a barreira operacional que costuma afastar quem não cresceu com tecnologia. Ferramentas de IA generativa permitem montar um catálogo, responder clientes e organizar a rotina do negócio sem depender de conhecimentos técnicos avançados. O Sebrae oferece, inclusive, um curso gratuito de IA na prática para pequenos negócios, com três horas de duração, cobrindo desde conceitos básicos até ética e segurança no uso da tecnologia.
O que esperar do seminário
O evento on-line e gratuito reunirá especialistas da Anegepe e dois casos reais de empreendedores: Maykow Lenzi, da Lucrefy/Cafeteria Externa, e José Ramalho, da R-Crio Células-Tronco. Durante a transmissão também será lançado o livro “Empreendedorismo no Brasil 2025”, que aprofunda os temas debatidos. As inscrições podem ser feitas no site do DataSebrae.
O que isso significa para quem quer começar
- Experiência é ativo, não passado. As taxas mais altas de empreendedorismo estabelecido entre os 45+ mostram que maturidade profissional sustenta negócios que duram.
- A renda acompanha. O empreendedor sênior já ganha, em média, mais que a média dos donos de negócio no país.
- A IA derrubou a barreira técnica. Atendimento, conteúdo e gestão podem ser operados com ferramentas simples e gratuitas — a tecnologia deixou de ser pré-requisito para virar atalho.
- Comece pequeno e valide. A metodologia da própria GEM distingue quem só pensa de quem age: o primeiro passo concreto vale mais que o plano perfeito.
- Capacitação existe e é gratuita. Do curso de IA ao seminário de hoje, o ecossistema de apoio ao pequeno negócio está acessível a um clique.
Com a entrada dos 65+ na pesquisa GEM, o empreendedorismo sênior deixa de ser uma curiosidade estatística e passa a ser tratado como o que os números já indicavam: uma força relevante da economia brasileira, agora potencializada pela inteligência artificial.